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domingo, 7 de agosto de 2011

"How in the hell could a man enjoy being awakened at 8:30 a.m. by an alarm clock, leap out of bed, dress, force-feed, shit, piss, brush teeth and hair, and fight traffic to get to a place where essentially you made lots of money for somebody else and were asked to be grateful for the opportunity to do so? "
— Charles Bukowski (Factotum)

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Medo




Jean Retz disse que "de todas as paixões, o medo é aquela que mais debilita o bom senso". Pois é, hoje falo mesmo de mim.

Nunca me considerei uma pessoa com medo, sempre fui (demasiado) inconsciente e inconsequente para poder ter medo. Nunca tive medo da (minha) morte, nunca tive medo da doença, nunca tive medo de arriscar fosse o que fosse, fosse no que fosse. Sempre a alto e bom som proclamei o meu desprezo intelectual e físico por quem tem medo! Desprezo, acima de todas, as pessoas que se contentam com o suficiente e que têm medo de ir atrás daquilo que verdadeiramente querem (já o disse o grande Pessoa "ser descontente é ser homem") e lamento as pessoas que ficam presas na armadilha do medo e cingem a sua vida ao que conhecem, ao que é (considerado) seguro.

Devo confessar que esse meu "desmedo" me tornou uma pessoa de muito pouco bom senso. Todos nós temos arrependimentos na vida, há coisas que tenho no meu passado que classifico como autênticos desperdícios de tempo (do meu e do deles e sim estou a falar de relações), mas esse sentimento não me persegue, não me atormenta e acho que se voltasse atrás nem mudaria nada na minha vida. Esta é a vantagem da falta de bom senso: no regrets!

Agora parece que a coisa mudou... Sem eu perceber como ali cheguei, encontro-me em pânico ao volante a 140 km/h na autoestrada porque, de repente, deixei de reconhecer o caminho que faço há anos. Imagens de acidentes de automóveis povoam-me a mente enquanto conduzo, atropelamentos, cada vez que atravesso a estrada, violações e estropiações cada vez que saio à noite de casa... Olho para as pessoas que amo e imagino-as mortas, imagino-me a chorar por elas, imagino-me a enterrá-las e a tentar viver sem elas... Olho para o meu corpo e vejo velhice. Dói-me a cabeça e penso em tumores, tusso e penso em cancro, fodo e penso em SIDA!
De repente, dei por mim numa espiral de medos! Não vem de mim, parece que me apanhou no caminho. Um vírus que se apanha e que se instala na nossa cabeça. Nunca tive tanto medo na minha vida e tenho medo de não parar de o sentir.
Será só uma fase e tenho que a ajudar a encontrar o seu caminho de saída...


I went to the Garden of Love,
And saw what I never had seen;
A Chapel was built in the midst,
Where I used to play on the green.

And the gates of this Chapel were shut
And "Thou shalt not," writ over the door;
So I turned to the Garden of Love
That so many sweet flowers bore.

And I saw it was filled with graves,
And tombstones where flowers should be;
And priests in black gowns were walking their rounds,
And binding with briars my joys and desires.


William Blake, The Garden of Love

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Melodramatismo

Gostava de desaparecer... Aniquilar a minha existência maldita e calar, de uma vez por todas, esta falsa voz repugnante que me murmura na nuca: “És uma merda, és uma merda, és uma merda...”
Se eu desaparecesse, levaria comigo todo o mal do mundo, todo o horror que dissemino, toda a dor que te causo. Se eu desaparecesse, deixariam de existir todos os problemas que te atormentam, ficarias livre para o resto da tua vida da existência miserável para a qual te arrasto...
Um raio que me caísse em cima, uma dor no peito que me fechasse os olhos, uma pancada na cabeça que calasse todas estas vozes...
Gostava de desaparecer, nunca mais ver os que amo, nunca mais sentir posado em mim o olhar de seda dos que me amam. Renunciar a todo o bem possível e imaginário de alcançar nesta vida e, assim, definitivamente, renunciar a todo o mal!
Loucura, febre, vómitos, insónia e mal estar... Uma ânsia que tem tanto de desejo como de medo. O descontrolo de todas as emoções a perda de todas as faculdades... e sempre, sempre esta maldita voz!
Ou então, deixar de ser eu. Encontrar normalidade, equilíbrio na minha vida. Parar de vos perder e de me perder a mim! Deixar de ser eu, sem perder a minha consciência... Paradoxo!
Mas quem, meu Senhor, quem na sua infinita bondade e paciência pode suportar amamentar com benignidade quem lhe trinca os seios?!
Quem, no auge da sua essência, poderá alguma vez recolher-me, aceitar-me e ainda amar-me?

sexta-feira, 5 de março de 2010

Inexpugnavelmente Meu


"Em linhas gerais, a obsessão caracteriza-se por pensamentos intrusivos, repetitivos e persistentes que provocam inquietação e mal estar."

Ando preocupada; terei eu desenvolvido uma obsessão por ti?

Porque não há um dia que não me lembre de ti e raras são as noites em que não me torturas em sonhos. No entanto, quer de noite, quer de dia, não consigo chegar a ti. Olho para ti e não te alcanço, procuro, procuro e não te encontro.
Partiste da minha vida! Viraste as costas e foste. Porque as coisas são assim, porque as coisas são como decides que elas sejam e não permites que sejam de outra forma. Porque esperas tornar-te um deus sem arrependimentos e sem amarguras, um deus solitário adorado e inatingível. Porque esperas vencer-te a ti mesmo e, desse modo, venceres todos os outros. Porque esperas conseguir fazer o contrário daquilo que berra dentro de ti!

Pensamentos intrusivos, repetitivos e persistentes que me causam angústia e agonia... Pensamentos inevitáveis que me enojam e me dilaceram. Porque "life is too short" ou "everything happens for a reason" são clichès que abomino e desprezo! Cheiram a tripas de peixe podre as bocas de quem consegue pronunciar irresponsabilidades descebradas como estas! Coitados...

Ah! Que o dia acabe! Que termine rápido e que o sono me traga um lenitivo o aperitivo da morte! Que o dia termine e que mais nada exista no meu mundo do que os teus braços à minha volta. Que o teu abraço me proteja de todos os demónios que me assaltam impiedosamente...

Que sejas delirante, vibrante, excitante e inexpugnavelmente MEU!





terça-feira, 29 de setembro de 2009

Rosa Choque

"Algum desgosto prova muito amor, mas muito desgosto revela demasiada falta de espírito." - William Shakespeare

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Yasminelle

Deus
não me deu
um namorado
deu-me
o martírio branco de não o ter.

Vi namorados possíveis
foram bois
foram porcos
e eu palácios e pérolas.

Não me queres
nunca me quiseste
(porquê, meu Deus?)
A vida
é livro
e o livro
não é livre.

Choro
chove
mas isto é Verlaine
Ou: um dia tão bonito
e eu não fornico.

[...]

Adília Lopes